Arrais
Enfim, depois de alguns meses planejando, consegui tirar minha carteira de arrais amador. É um passo e sei bem que, como disse um experiente engenheiro naval, arrais é a categoria de quem não sabe nada.
Não me aflijo. Preciso dela pra seguir adiante. Seria bom poder fazer um curso mais extenso que me desse a carta de capitão amador, mas não existe esta opção. Paciência. Próximo passo, mestre amador.
Agora, gostaria de fazer duas considerações. A primeira, 99% dos participantes de aulas de arrais querem pilotar lancha. Me sentia um estranho entre barqueiros profissionais, churrasqueiros de fim de semana e futuros pilotos de jet-ski. Eu, o único da sala de aula interessado em velejar. Senti um ar de contentamento quando o capitão da capitanias dos portos, que de dava aulas práticas, disse que o velejador é o marítimo mais consciente e preparado. Oba. Somos minoria, mas temos uma aura intocada, um certo distanciamento... como se estivéssemos mais próximos da natureza ou soubéssemos algum segredo que pilotos de lancha não sabem. Bom, é assim que imagino.
Outra observação vem do fato de que, bastando eu obter minha carteira de mestre amador, para que a Marinha me considere habilitado a viajar por todo o litoral das américas e regiões adjacentes. Como?!!!
Alguem que nunca entrou num veleiro, com sua carteirinha de mestre, conseguida com 50% de acerto em uma prova teórica, pode se achar capaz de enfrentar um mar bravo e seguir por aí, até o Caribe, por exemplo?
Andei sondando sobre as aulas práticas e descobri que elas não fazem parte do curso regular das escolas náuticas. Cheguei a sugerir na escola em que me matriculei que as aulas teóricas fossem complementadas com aulas de navegação prática. Fazer uma parceria com uma escola de velas, por exemplo, que levasse o aluno a situações reais enfrentadas no mar, podendo escolher módulos, como aprender a ler cartas, escolher lugares para fundear, decidir sobre rotas, enfrentar ventos fortes, viagens curtas ou longas, de acordo com o interesse de cada um... Mas foi como conversar com um pão de queijo.
Descobri, enfim, que tenho de me matricular em alguma escola de velas ou contratar algum navegador. Novamente, não me aflijo. Estou chegando mais perto.
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